Entrevista - Dia do Índio - 19 de abril

Entrevista - Dia do Índio - 19 de abril
19/04/2017

ENTREVISTA DO DIA DO ÍNDIO - 19 DE ABRIL

CULTURA

O repórter Tony Lima, do Jornal da Imperial, conversou com o cacique Henrique Manoel, da comunidade Nazaré, município de Lagoa de São Francisco, sobre a data e o cotidiano da etnia indígena na região. Acompanhe.

Jornal da Imperial: Nós falamos com Henrique Manoel, cacique das etnias indígenas que existem lá na Lagoa de São Francisco, ali na região do Nazaré, hoje está acontecendo uma mobilização e também uma comemoração na capital Teresina e ele fala também dessa movimentação, o que é que exatamente está acontecendo aí Henrique, boa tarde?

Cacique Henrique Manoel: “Boa tarde Tony Lima, boa tarde a todos os nossos ouvintes da FM Imperial. E é um prazer muito grande estar falando nesse momento com você, da importância desse dia, que é o dia 19 de abril, dia em que se comemora o dia do índio. Nós estamos aqui com um evento através do Museu do Piauí, com o apoio do nosso governo do estado, que sempre nos deu esse apoio e nos trouxe para que podemos juntos, que é muito importante para nós que fazemos os povos indígenas do Piauí.”

Jornal da Imperial: Bom, exatamente em relação a essa comemoração, vamos falar um pouco de que tipo de comemoração pode se ter as etnias aqui do estado do Piauí, você que representa essa região aqui norte, essa região do Nazaré, Lagoa de São Francisco. O índio hoje no estado do Piauí, tem muito o que comemorar ou tem mais o que se preocupar, Henrique?

Cacique Henrique Manoel: “Olha Tony, na verdade, seria para ter muito o que comemorar, se o nosso povo não tivesse vergonha de se identificar como indígena. Mas mesmo assim, a gente está com 7(sete) anos de caminhada, nós temos algumas coisas que podemos comemorar no Piauí: a questão da educação, da educação diferenciada para os povos indígenas e estamos tendo apoio da Universidade Federal, da Universidade Estadual do Piauí, inclusive o próprio governo está nos dando esse apoio muito forte. Então a gente comemora essa data com muito prazer e alegria e divulgar que nós estamos tendo esse apoio na questão da educação. A questão da saúde, muito precária também, a gente sabe a questão da própria saúde no Piauí e no Brasil como um todo. Por conta dessa questão também da saúde, o indígena tem direito à saúde diferenciada não é? Tem na Constituição Federal. Tipo: nós estamos trabalhando essa questão, correndo atrás da criação do DICEI no Piauí, para que também veja essa questão do governo federal, que sabe... não tem apoio do governo federal; temos apoio do estadual, trabalhando essa questão com apoio do governo estadual, que está dando muito apoio para o nosso povo. Então nós estamos também começando a ter êxito com algumas ações já sendo realizadas nas comunidades e a questão da terra – que é o principal – que o índio não pode viver sem terra, moradia. Tivemos agora recentemente a visita do pessoal do INTERPI nos três municípios, que é Piripiri, Lagoa de São Francisco e Queimada Nova. Fazendo o levantamento, o cadastro das famílias que vivem nessas regiões, que se auto-identificam como indígenas. Também é uma vitória que a gente comemora hoje, que é um passo que a gente está dando junto com o governo do estado. Que pena uma derrota muito grande que tivemos que é a questão da FUNAI, eu deixa... cessou a unidade que tinha no Piauí, a única unidade que a gente tinha no Piauí, foi fechada não é? Isso para nós foi uma derrota, a gente teve muita luta para fazer isso, para ter um órgão representativo dentro do governo do estado, foi muito difícil para nós. (...) Mas, é isso: a gente está lutando, correndo atrás, para que [a FUNAI] ela volte a funcionar dentro do estado do Piauí.”

Jornal da Imperial: Mesmo com essas dificuldades que você comentou em relação ao fechamento do escritório da FUNAI aqui no estado do Piauí as etnias que existem aqui nessa região norte do estado e que você representa também essas etnias aí nesse movimento hoje, na capital Teresina. Como é que tem sido esse trabalho aqui na região, especificamente aqui no Nazaré, Henrique?

Cacique Henrique Manoel: “Olhe Tony, quando a gente começou a se reconhecer nós tivemos dificuldades que nós não tínhamos assim no estado junto ao governo federal. Depois, a Sra. Adeodata, do Centro de Formação Mandacaru, foi quem levantou essa bandeira, dizendo que a gente precisava se reconhecer e a gente foi buscando esse apoio, na Universidade Federal, através da professora Carmem, que passou uma semana com a gente fazendo todo o levantamento, ela é antropóloga, professora de Antropologia não é? E aí depois apareceu a FUNAI, com a presença do funcionário chamado Romeu, que ela foi instalada em Piripiri, a unidade em Piripiri que vem nos dando esse acompanhamento; precária porque nós temos 1(um) funcionário no estado e um transporte que funciona precariamente, mas que estava nos ajudando a caminhar, não é? Era um reforço que a gente estava tendo nas organizações, no acompanhamento das divulgações e o repasse para o federal, que era na FUNAI, nos órgãos indígenas. Então com essa perda no estado, dessa unidade no estado, por nós, é assim uma derrota – muito grande não é?” ...  

  

Fonte: REDAÇÃO
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