Greve suspende parte das aulas e universitários reclamam de horários

Greve suspende parte das aulas e universitários reclamam de horários

24/08/2015 - 08:48

Segundo os estudantes, os horários das aulas estão desorganizados, além de ser um gasto extra com o transporte, vez que alguns alunos precisam pegar até duas conduções para chegar à Universidade. É o caso da estudante do curso de Física, Bruna Ariadni Sousa Silva, de 18 anos. 

Ela reside na Vila Irmã, zona Sul de Teresina, e precisa acordar às 4h30 para chegar à Ufpi. “Muitas vezes, eu chego atrasada e aí, às vezes, nem tem aula, ou só uma aula, então isso é muito ruim. E o pior, se não vier aí fico sem ver o conteúdo”, disse. Para ela, a suspensão total das aulas seria o mais recomendado a ser feito. 

A jovem destaca que, por conta da pouca quantidade de alunos transitando pelo campus, a insegurança e medo de assaltos aumentam. Com receio de serem abordados pelos criminosos, muitos estudantes estão andando em grupo e evitando circularem por locais mais isolados. Bruna Ariadni ainda ressalta que alguns professores estão ministrando aulas com as portas trancadas e que os alunos estão evitando levar notebooks e celulares para a universidade. A estudante fala também que a única professora que aceitou continuar dando aula foi coagida a parar com suas atividades e, por conta disso, a disciplina seria suspensa até que a greve seja encerrada. 

O mesmo estava ocorrendo com alguns alunos do curso de Educação Física. Eles estão assistindo apenas uma disciplina, o que dificulta bastante para os estudantes, que precisam se deslocar para a universidade para assistir apenas uma aula durante o dia. Por conta disso, alguns professores chegaram a negociar com os alunos para que as aulas tivessem uma maior duração e não houvesse a necessidade de irem para a instituição nos outros dias da semana. 

“Às vezes, o professor marca aula de 8h às 12h, direto, mas, mesmo assim, é ruim, porque não dá para se programar no final de semana, porque não sabemos se terá aula. Agora mesmo, estamos esperando o professor para saber se ele vai aderir à greve ou continuar dando aula. A gente até prefere que ele paralise, porque é só uma disciplina de sete, e depois vai ter que vir pagar as outras seis, então isso é mais um gasto”, relata Danilo Háviner, estudante de Educação Física.

Sobre a insegurança, o estudante destaca que a instituição colocou reforço e que, aparentemente, os frequentes assaltos cessaram. Ele pontua, contudo, que a reitoria da Ufpi fez uma parceria com a Polícia Militar para que as viaturas circulassem pelo campus, mas, até o momento, a presença da polícia ainda não foi vista pelos alunos. 

Juliana Pessoa, que também é aluna do curso de Educação Física, frisa que o melhor para os alunos seria se todas as aulas fossem suspensas até que a greve seja encerrada. “De qualquer forma, a gente vai ter que vir de novo. E tem vários alunos que não estão vindo e, com isso, estão perdendo a disciplina e conteúdo, porque é difícil ter aula com poucos alunos. 

Contraponto 

Por sua vez, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi) afirmou que a adesão dos professores à greve foi de mais de 90% e que apenas há alguns casos isolados de professores que continuam ministrando aulas; contudo, este é um direito de cada docente, em aderir ou não ao movimento grevista. A Adufpi frisou ainda que o comando local de greve irá se reunir para debater sobre este assunto, mas garantiu que nenhum aluno será prejudicado e ressaltou que as orientações serão repassadas aos discentes, assim como futuras negociações que o governo venha a fazer com a categoria. 

Já a Administração Superior e o Conselho Universitário da Universidade Federal do Piauí (Ufpi) disseram que, em reunião realizada no último dia 17, se posicionaram pela não suspensão do Calendário Acadêmico referente ao período 2015.2. Segundo o reitor, Prof. Dr. José Arimatéia Dantas Lopes, posteriormente, o Conselho voltará a se reunir para avaliar o quadro da greve e novamente se posicionar.

Fonte: O Dia