Levy diz que país pode usar reservas para conter dólar
Levy diz que país pode usar reservas para conter dólar
25/09/2015 - 09:16
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez coro com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ao confirmar que a utilização das reservas internacionais é uma possibilidade para o governo fazer frente à alta excessiva do dólar. Nesta quinta-feira, a divisa fechou em baixa de 3,69%, a R$ 3,992, após ter disparado 2,5% pela manhã e atingido R$ 4,249. A moeda perdeu força com declarações do presidente de Tombini, ainda pela manhã.

Já à noite, em evento na capital paulista, Levy confirmou a possibilidade de usar reservas, mas destacou que o Brasil possui outros instrumentos.
- Eu acho que é uma possibilidade, mas quem decide isso evidentemente é o Banco Central. O presidente Tombini manifestou que é uma ferramenta de segurança e que nunca deve ser descartada. Mas nós temos mecanismos que têm se mostrado eficazes um neste momento de maior incerteza doméstica e até global.
O ministro mencionou o programa de swap, que permite que reservas sejam usadas de forma eficiente para o setor produtivos, embora a política de swap seja mal entendida.
— É um seguro para as empresas — disse.
Levy mencionou ainda o programa de venda de títulos pré-fixado (as NTN-F), utilizado pelo Tesouro Nacional, como outra opção, que "tira a pressão do mercado garantindo que ele funcione bem".
Perguntado sobre o risco de gasto excessivo das reservas, lembrou que elas são de US$ 370 bilhões, ou mais de R$ 1 trilhão, e são uma garantia de que o país está protegido.
— Nós temos US$ 370 bilhões de reservas. Esse é um valor muito significativo. É mais de R$ 1 trilhão, então o Brasil está protegido. O Brasil também está protegido porque na área do Tesouro, a partir de março, nós acumulamos recursos adicionais que nos permitem nesse momento dar fôlego aos investidores. Nós temos ferramentas de proteção para, no momento de um pouquinho mais de turbulência, a gente está garantindo bom funcionamento dos mercados, o bom funcionamento da economia.
CORTE DE GASTOS E COMBATE À INFLAÇÃO
No evento, Levy também defendeu o corte de gastos e o combate à inflação para que o país possa voltar a crescer, e avaliou que apesar das dificuldades, a economia brasileira está se recuperando.
— O Brasil não pode ter ambiguidade fiscal, assim como o Brasil tem que continuar firme no trabalho de redução da inflação...temos que ter isso permanentemente em mente — disse o ministro em discurso em evento em São Paulo. — Onde há ambiguidade, as coisas começam a ficar à deriva e nós não queremos isso.