Instabilidade já trouxe prejuízos de pelo menos R$ 300 milhões para o Piauí
Instabilidade já trouxe prejuízos de pelo menos R$ 300 milhões para o Piauí
16/05/2016 - 10:09
Desde o resultado das eleições presidenciais, em outubro de 2014, quando se iniciou uma crise política sem igual na história, o Brasil vem sofrendo grandes prejuízos, principalmente na economia. Como somos um país presidencialista, o Governo Federal é quem toma as decisões que mais têm efeito prático no nosso dia a dia. Porém, sem instabilidade logo no início do segundo governo de Dilma Rousseff, em 2015, o Executivo praticamente parou de administrar o País, que já dava sinais de “doença”. Como num paciente que não teve o tratamento adequado, a saúde financeira do Brasil foi parar na UTI.

Com uma economia afetada pela instabilidade financeira internacional, o Brasil ficou à mercê do próprio mercado, já que o Governo enfrentava protestos da população, investigações da Justiça em integrantes importantes do Executivo e problemas nas contas públicas. Sem diálogo com o Congresso Nacional, o Governo ficava, a cada dia, mas perdido. A instabilidade política só aumentava, com mais atritos com o parlamento, com a Justiça, e até com a população.
O prejuízo afetou a todos. Com a economia ruim, o PIB recuou 4,5% em 2015. Com menos arrecadação, a União repassou menos recursos para os estados. No Piauí, segundo a Secretaria da Fazenda, os problemas começaram logo em 2015. Naquele ano, o Piauí recebeu R$ 3,3 bilhões de Fundo de Participação do Estado (FPE), que, embora fosse 5,2% maior do que o recebido em 2014 (R$ 3,1 bilhões), na prática o que houve foi uma redução de 7%, já que a inflação de 11% no ano passado engoliu os 5,2% de aumento. Assim, foram R$ 200 milhões a mais que o Piauí deveria ter recebido para poder respirar.
E para 2016, diferente do que o Governo do Piauí esperava, a situação só piorou. Até abril deste ano, o FPE teve uma queda de 4,16% em relação ao que o Piauí recebeu no mesmo período (janeiro a abril) de 2015. Levando em consideração a inflação de 11% nos últimos 12 meses, o Piauí deixou de receber no período R$ 131 milhões.
Somando-se os prejuízos de 2015 e até agora (2016), já são mais de R$ 300 milhões de recursos em falta no Estado.
Faltou habilidade política à presidente, avalia cientista político da Ufpi
O O cientista político Ricardo Arraes, professor da Universidade Federal do Piauí, diz que a crise do Brasil foi comprometida pela pouca habilidade política da presidente afastada Dilma Rousseff (PT). “A maior líder do país não dialogava com a oposição e exercia sessões de monólogos com a base aliada. Esse quadro era sobejamente reconhecido por petistas que alertavam a incapacidade de negociação da presidente, inclusive com seus pares”, analisa.
Somado a isso, Ricardo Arraes afirma que Dilma entrará para a história como aquela que nos legou um quadro econômico espetacularmente minado, solapado: queda no PIB, recessão, inflação, desemprego, desesperança com relação ao futuro próximo. “As melhores expectativas nos dão conta de que o quadro econômico do país só terá melhoras em 2018”, comenta.

Ricardo Arraes explica também que o Brasil andou para trás com a administração Dilma Roussef. “Todos os indicadores que até o governo Lula eram ascendentes, entraram em rota descendente. O estrago do quadro social alvissareiro perpetrado no período Dilma é muito profundo. O modelo econômico e tributário de endividamento público e de crédito fácil para a população, empancou em recessão e no endividamento de milhões trabalhadores que perderam seus empregos, mas ainda tem muitas parcelas para pagar os TVs Leds, arcondicionados, lavadoras, geladeiras, etc”, avalia.