Piauí deve ter mais de 200 casos de sífilis
Piauí deve ter mais de 200 casos de sífilis
18/07/2017 - 06:58
O número de notificações de sífilis, doença crônica transmitida predominantemente por via sexual, tem aumentado no Piauí. Em 2015, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesapi) teve 131 casos. Em 2016, o número chegou aos 191; até o mês de julho de 2017, as notificações já ultrapassaram a soma de 2015, com 161 casos. A previsão é de que o ano encerre com mais de 200 casos notificados, entre homens e mulheres não gestantes. “No Brasil inteiro, o Ministério da Saúde direciona que todos os profissionais de saúde pública ou privada, ao suspeitar da doença, notifique compulsoriamente. Esse quantitativo ainda é subnotificado, porque tem muitos profissionais que não notificam”, explica Michelle Fianco, enfermeira da coordenação de epidemiologia da Sesapi.
Michelle Fianco aponta que o maior causador dos crescentes casos é a resistência da população masculina em usar preservativos. Além disso, homens são mais resistentes a procurar serviços de saúde, seja de maneira preventiva ou para tratamento. “Quando estão com alguma IST (Infecção Sexualmente Transmissível), eles têm vergonha de procurar a atenção básica de saúde. Vão direto à farmácia ou procuram um colega. A automedicação ou a falta de tratamento faz com que ele continue doente, tendo relações sexuais desprotegidas e disseminando a IST. Outro agravante é que a maioria dos serviços de saúde não funciona à noite, o que dificulta, porque geralmente eles trabalham o dia todo, e as ISTs não são consideradas serviços de urgência e emergência”.
A enfermeira da coordenação de epidemiologia da Sesapi ainda enfatiza que é essencial que ambos os parceiros façam o tratamento, mesmo que não apresente sintomas. “O tratamento em conjunto é necessário, pois pode haver reinfecção. Durante o tratamento, o casal não deve manter relações nem com preservativo”, ela frisa.
Corrimento uretral
Outra IST que tem crescido é a Síndrome do corrimento uretral. Entretanto, por não ser de notificação compulsória, a subnotificação é ainda maior. Em 2015, apenas 2 casos foram registrados, sendo 8 em 2016 e nenhum em 2017. “Não são todos os profissionais de saúde que notificam, diferente da sífilis. A gonorreia é uma das patologias que podem estar associadas, assim como a clamídia e a candidíase.
Segundo informações da ONU Brasil, a sífilis ainda é uma ameaça de saúde pública. Para tratar a infecção, é recomendada uma única dose de penicilina, um antibiótico injetado por médico ou enfermeiro no paciente infectado. Já para a gonorreia, ela tem apontado problemas de resistência às drogas utilizadas, pelo abuso de uso inadequado de antibióticos. O ideal é que, ao apresentar qualquer sinal ou sintoma das doenças, o paciente e parceiro ou parceira procure a atenção básica de saúde para o diagnóstico correto e o devido tratamento.