Camilla Abreu: juíza se irrita com perguntas de advogado e capitão diz ter 'transtorno'
Camilla Abreu: juíza se irrita com perguntas de advogado
24/02/2018 - 10:07
A juíza Zilnar Coutinho, da 2ª Vara do Tribunal do Juri, se irritou com o advogado de defesa do ex-capitão da Polícia Militar Allisson Wattson, Pitágoras Veloso, na manhã desta sexta-feira (23/02) durante audiência de instrução do caso Camilla Abreu.

Durante o depoimento de Valéria Gomes, amiga de Camilla Abreu, a jovem foi questionada pelo advogado se a vítima fazia programa para conseguir dinheiro.
Segundo Pitágoras o questionamento foi feito com base nos autos do depoimento que Valéria teria dado para a polícia. Mas a juíza indeferiu o questionamento.
“Se o depoimento prestado na fase policial fosse suficiente para instrução do processo, não haveria necessidade dessa audiência. A pergunta está indeferida, porque não tem pertinência o objeto deste processo”, disse Zilnar Coutinho.
O advogado requereu esclarecimentos sobre o depoimento da jovem, que para ele, houve divergências.
Além disso, Pitágoras ainda questionou a jovem sobre um possível relacionamento íntimo com Camilla Abreu, que novamente foi indeferido pela juíza. “A pergunta está indeferida porque não é pertinente ao objeto”, disse. Ao tentar insistir na pergunta, novamente o advogado de defesa foi barrado. “A pergunta está indeferida no tocante ao relacionamento amoroso. Não é objeto do processo”.
"Allisson não era demônio e Camilla não era anjo" retrucou o advogado ao ter a pergunta indeferida pela segunda vez.
O capitão Allison Wattson, que antes tinha confessado ter matado a jovem, agora disse em depoimento que não cometeu o crime. Ele solicitou que queria responder apenas às perguntas do seu advogado e que desde 2017 faz tratamento de um transtorno de personalidade.
SOBRE O CRIME
Camilla Abreu, na época com 22 anos, era estudante de direito e namorava com o policial Allisson Watson há 10 meses, quando no dia 26 de outubro de 2017, desapareceu após sair com ele. Depois de dias de investigação, a Delegacia de Homicídios descobriu que o militar a matou com um tiro no rosto dentro do seu carro, jogou o corpo em um matagal e tentou limpar os indícios do crime, inclusive com a tentativa de se desfazer do veículo. Preso, ele confessou o crime, e investigações apontam que ela era constantemente agredida e alvo dos ciúmes do homem que a pressionou num relacionamento nocivo.