Defesa de condenado a 100 anos por estupro coletivo no Piauí diz que júri teve dúvidas na decisão

Defesa de condenado a 100 anos por estupro coletivo no Piauí diz que júri teve d

03/03/2018 - 09:51

O defensor público Dárcio Rufino disse que o júri que condenou Adão José de Sousa pelo estupro e tentativa de homicídio de quatro adolescentes na cidade de Castelo do Piauí na madrugada dessa quarta-feira (28), teve dúvidas quanto à sentença. “Houve muitos votos negando a autoria, principalmente nos quesitos relacionados ao estupro”, disse o defensor público. A defensoria recorreu da decisão afirmando que as provas documentais do processo apontam para a não participação do réu no crime.

Dárcio Rufino relatou que apesar de ter condenado Adão em todos os tipos penais a que foi acusado, o júri deu votos contrários para maioria dos crimes julgados. A defesa irá recorrer da decisão. “Vamos questionar tudo isso, inclusive que ele foi condenado sem provas. Essa condenação precisa ser reanalisada, revista, por uma questão de justiça e humanidade”, disse ao G1.

Adão José de Sousa, de 43 anos, foi condenado por um homicídio e duas tentativas, estupro, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores. Um dos crimes de tentativa de homicídio foi requalificado para lesão corporal grave. O juiz Leonardo Brasileiro calculou a pena em 100 anos e 8 meses em regime fechado. O julgamento demorou quase 24 horas e terminou por volta das 4h da manhã de quarta-feira (28).

Adão está preso na Casa de Detenção Provisória da cidade de Altos, a 41 km de Teresina. Com a condenação, ele deveser transferido para a penitenciária Irmão Guido. O defensor público disse que teme pela segurança do condenado.

Segundo Dárcio, Adão pediu uma cópia do exame pericial que mostraria que não foi encontrado material genético dele nas vítimas, para que pudesse levar para dentro da penitenciária, para mostrar para os outros presos. "Ele já sofreu muita violência durante esse processo", relatou o defensor público.

Defesa

De acordo com Dárcio Rufino, em nenhum dos exames periciais realizados nas vítimas do estupro coletivo foi encontrado material biológico de Adão José de Sousa, ou mesmo dos três adolescentes também condenados pelo crime. Segundo ele, a perícia identificou material genético apenas de Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, assassinado pelos outros menores em uma cela do Centro de Educacional Masculino (CEM).

O defensor público afirma também que as vítimas do crime, em depoimento, apenas dão certeza da presença de Gleison no local do crime. Segundo ele, no momento do crime Adão José de Sousa estava na cidade de Campo Maior, distante 105 km de Castelo do Piauí. “A Defesa conseguiu provar isso através de álibis. Tinham pessoas que estavam com Adão”, disse.
Para o defensor público o culpado pelo estupro coletivo foi o adolescente Gleison Vieira da Silva. “Precisamos trabalhar com os parâmetros de prova. Não posso afirmar que ele agiu sozinho, mas posso afirmar que as provas do processo deixam muito claro que foi o Gleison, que está morto, e que não foram aqueles adolescentes e que não foi o Adão”, finalizou Dárcio Rufino.

Fonte: G1