Registro de armas cresce 3,6% após Bolsonaro

Registro de armas cresce 3,6% após Bolsonaro

08/05/2019 - 08:45

A política de liberalização da posse e do porte de armas do governo Jair Bolsonaro teve pouco impacto sobre o total de armas legais em circulação no País. É o que mostram os dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) da Polícia Federal (PF). O total de armas registradas no País era no dia 30 de abril deste ano apenas 3,6% maior do que o total registrado pelo Sinarm em 30 de junho de 2018. A alta foi, no entanto, puxada pelos registros ativos feitos por pessoas físicas, que tiveram aumento de 5,7% no período.

Além do total de armas registradas no País, a PF também constatou em 2019 um aumento da média mensal de pedidos de novos registros e renovações de antigos. Nesse caso, o crescimento foi de 3,4%. Aqui também um número se destaca: é o de janeiro, logo depois da posse de Bolsonaro - pedidos de registros cresceram 118% no mês de janeiro em comparação com o mesmo período de 2018, alcançando 33.058. Mas o fenômeno perdeu força em fevereiro, que ainda registrou uma pequena alta, para depois ter quedas em março e em abril.

Clubes de tiro consultados pelo Estado - as armas de atiradores são registradas em outro sistema, o Sigma, do Exército - também não registraram grande aumento de procura - crescimento de até 10%. Não houve também nenhum impacto sobre o total de homicídios registrados nos País - há 17 meses eles estão em queda, um movimento que atinge 25 das 27 unidades da Federação. "A liberação não significou maior circulação de armas de fogo e, por isso, também não houve impacto nas mortes violentas no País", afirmou Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Foto: DmitriMaruta / iStock

Para o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo Bruno Paes Manso, os decretos de Bolsonaro não provocaram nenhuma corrida às armas, pois a maioria da população não tem ilusão de que ter uma arma em casa garantirá a sua segurança. "Além disso, o custo ainda é caro, os testes e treinos são obrigatórios e agora existe ainda a exigência de cofre. Tudo isso faz com que a solução para a segurança seja coletiva e pública e não individual", disse.

Fonte: terra.com.br