Organizações pedem investigação sobre possível relação entre Ciro Nogueira e deputados citados em papel achado em churrasqueira
5ª fase da Operação Compliance Zero
15/09/2026 - 21:33
Um grupo de organizações que monitoram as contas públicas brasileiras formalizou, nesta terça-feira (15), um pedido para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino abra uma investigação para verificar se os nomes encontrados num papel dentro da churrasqueira do senador Ciro Nogueira (PP-PI), estão relacionados com o "Orçamento Secreto".
Papel encontrado na churrasqueira de Ciro Nogueira contém 'nome' de deputados e números que, provavelmente, são 'valores', segundo a PF — Foto: Reprodução
Durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal encontrou uma lista com "nomes" de deputados e prováveis "valores" em um conjunto de documentos que estava na churrasqueira da casa do senador.
O pedido feito pela Transparência Internacional - Brasil, Transparência Internacional e a Associação Contas Abertas, ao ministro Dino, porque ele é o responsável pelo inquérito que analisa a má aplicabilidade das emendas parlamentares.
"As organizações vêm [...] requerer que: sejam adotadas as medidas cabíveis de investigação para apurar se a documentação apreendida no âmbito da Operação Compliance Zero na residência do Senador Ciro Nogueira está relacionada à repartição indevida de recursos do orçamento federal, seja no âmbito do popularmente conhecido 'Orçamento Secreto', seja por meio de outras formas de apropriação incompatíveis com ordenamento jurídico pátrio".
Na casa do senador em Brasília, uma funcionária disse ter sido orientada por Ciro a queimar os documentos encontrados na churrasqueira por serem velhos, "o que não foi feito por ausência de tempo hábil por parte da funcionária doméstica", segundo a PF.
O relato da Polícia Federal não tem informação sobre quando Ciro Nogueira teria instruído a funcionária a incinerar os papéis.
Entre os documentos encontrados, está um papel que traz apenas primeiros nomes em uma lista intitulada como "Câmara", acompanhado de números que, segundo a PF, "provavelmente" são "valores".
A lista contém os seguintes nomes e números:
- Arthur, 40;
- Hugo, 10;
- Elmar, 10;
- Luizinho, 10;
- Adolfo, 10;
- Isnaldo, 10;
- Diego, 5;
- Altineu, 5;
- Netinho, 5.
"A equipe policial encontrou um rascunho em que consta o nome 'CAMARA', seguido por vários nomes, possivelmente de parlamentares, a exemplo de 'ARTHUR' (provavelmente Arthur Lira), 'HUGO' (provavelmente Hugo Motta), 'ELMAR' (provavelmente Elmar Nascimento), 'LUIZINHO' (provavelmente 'Doutor Luizinho'), 'ADOLFO' (provavelmente Adolfo Viana), 'ISNALDO (provavelmente Isnaldo Bulhões), dentre outros passíveis de identificação", escreveu a PF.
"Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento", continuou a equipe policial.
Pedido de investigação
Apesar da Polícia Federal não afirmar que há relação existente entre os nomes, os valores e o senador Ciro Nogueira, as organizações entendem que a informação se refere a "distribuição de valores entre parlamentares e outras pessoas".
"A associação destes nomes e valores às práticas de repartição de recursos do orçamento federal, notadamente às conhecidas como ‘Orçamento Secreto’, é plausível, se for considerada a multiplicidade de evidências públicas de que o Senador Ciro Nogueira ocupou o papel de 'operador' do Orçamento Secreto durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro", afirmam.
O pedido ainda lembra que a mãe e suplente do senador, Eliana Nogueira, "foi também uma das maiores beneficiárias do ‘Orçamento Secreto’, com R$ 400 milhões em indicações no segundo semestre de 2021", durante o período em que o filho comandava a Casa Civil.