SSP deflagra operação internacional contra plano para executar delegados no Piauí
Dez investigados são alvos da ação
28/09/2026 - 07:53
A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) deflagrou, nesta segunda-feira (28), uma operação de alcance internacional contra uma organização criminosa investigada por planejar a execução dos delegados Charles Pessoa e Ayslan Magalhães. Ao todo, dez investigados são alvos da ação.

Segundo as investigações, cerca de R$ 1 milhão teria sido destinado ao planejamento dos atentados, incluindo a contratação de executores de outro estado, além da disponibilização de armas, veículos e um imóvel para dar suporte às ações.
O trabalho foi conduzido pelo serviço de inteligência da SSP-PI e da Polícia Civil, por meio do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO). A operação também possui desdobramentos internacionais, com diligências na Bolívia e no Uruguai, com apoio da Interpol.
Plano teria surgido após prejuízos ao tráfico
De acordo com as investigações, o plano teria começado a ser estruturado após sucessivas ações das forças de segurança provocarem prejuízos milionários a uma organização ligada ao tráfico de drogas no Norte do Piauí.
Entre as operações que teriam motivado a reação criminosa está uma ação realizada em Bom Princípio do Piauí, onde cerca de uma tonelada de entorpecentes, principalmente cocaína, foi apreendida em uma propriedade rural. Parte da droga estava escondida em recipientes e tambores enterrados.
As apurações apontam que integrantes da organização passaram a atribuir os prejuízos à atuação dos policiais e, posteriormente, iniciaram a articulação dos atentados.
Delegado era monitorado
O serviço de inteligência identificou uma estrutura organizada para colocar o plano em prática, com divisão de funções, recursos financeiros e preparação logística.
Segundo a investigação, Charles Pessoa vinha sendo monitorado pelos criminosos, principalmente durante seus deslocamentos para uma academia que frequentava. Os investigados também acompanhavam a divulgação da agenda do delegado e planejavam aproveitar compromissos públicos durante o período eleitoral para executar o atentado.
Ainda conforme as apurações, a organização planejou matar Charles Pessoa durante um ato político realizado na última quinta-feira (24), no bairro Mocambinho, zona Norte de Teresina.
As forças de segurança receberam previamente informações sobre o possível ataque e realizaram uma operação no dia do evento para impedir a execução do plano. A atuação policial teria frustrado o atentado.
Investigados
Entre os alvos está A.A.S., conhecido como “Pavão”, apontado como integrante de um núcleo familiar considerado relevante na estrutura de liderança da organização.
J.V.C., conhecido como “Meia-Noite”, é apontado como responsável pela coordenação operacional do plano. Conforme as investigações, ele teria atuado na seleção de executores de Fortaleza (CE) e na organização da estrutura necessária para o atentado.
Também são investigados C.N.F., conhecido como “Barba”, A.D.P.N., o “Fantasmão”, e A.L.F.S., conhecido como “André da Ilha”. Segundo a SSP, os investigados teriam diferentes funções na transmissão de ordens, logística e articulação entre integrantes do grupo.
As investigações também indicam que integrantes da organização continuavam exercendo funções criminosas mesmo após ingressarem no sistema prisional, com ordens sendo repassadas a intermediários que permaneciam em liberdade.
Ramificação internacional
O avanço das investigações revelou conexões da organização que ultrapassam o território brasileiro. Segundo a SSP, há indícios da presença de investigados no exterior e de vínculos com estruturas relacionadas ao tráfico de drogas, com ramificações na Bolívia e no Uruguai.
A operação busca cumprir as medidas judiciais determinadas, desarticular a estrutura criminosa e identificar outros possíveis envolvidos no planejamento dos ataques.