Maior comunidade quilombola do Brasil será no Piauí



25/01/2011 - 10:01

Maior comunidade quilombola do Brasil será no Piauí

O Piauí está a caminho de ter a maior comunidade quilombola do Brasil. Em processo de registro ainda, a comunidade Lagoa, que envolve seis municípios, entre eles São Raimundo Nonato, deve contar com mais de mil famílias quando criada. Ao longo dos últimos anos o Piauí também é destaque nacional como o Estado que conseguiu o maior número de reconhecimentos de comunidades com o título de quilombolas.

Evandro Cardoso, superintendente estadual do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirma que o processo está em andamento. "São cerca de 1400 famílias e será com certeza a maior comunidade quilombola do país", comenta a respeito das 1298 famílias que devem habitar a região quando o título de comunidade quilombola for expedido. O superintendente explicou que foi realizado um trabalho técnico pelo Incra-PI em parceria com entidades sociais como a Cáritas Brasileira para delimitar as características da região. "É um conjunto de comunidades que eles se autodenominaram Lagoa", pontua.

Evandro Cardoso explica que os quilombolas a serem reconhecidos são remanescentes de uma fazenda e tem um histórico de serem ancestrais de escravos. "Foi elaborado um relatório que trata de uma área de 62 mil hectares envolvendo 6 municípios. São famílias que estão lá há muito tempo e agora se reconhece sua ancestralidade", comentou Evandro Cardoso. O processo de reconhecimento da comunidade Lagoa é um dos vários que estão tramitando no Incra. "Até hoje o Piauí é o Estado que tem mais títulos de reconhecimento. São 5 títulos em parceria com o Interpi", explica Cardoso.

O sexto título agora depende da burocracia e a tramitação no governo federal. "A maior dificuldade é a tramitação em si que é demorado. Nós já encaminhamos o trabalho técnico com o laudo antropológico e a agronômico da região", comenta acrescentando que a primeira etapa do processo já foi finalizada e que agora são aguardadas as contestações de proprietários de terras que estão no território da futura comunidade quilombola.

Assim que o período de contestação for encerrado, os pedidos serão analisados e posteriormente o processo de criação da comunidade será encaminhado para Brasília. Entretanto, a criação da comunidade ainda deve demorar. "Estamos trabalhando há pelo menos dois anos neste processo e ainda temos no mínimo um ano para que ele seja concluído", arremata.

 

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